MILHO

O milho (Zea mays) é um cereal bastante cultivado no mundo e em Moçambique em particular, com um ciclo da cultura  que varia de 80 a 150 dias. Esta cultura adapta-se a temperaturas que variam de 18 a 30ºc, uma precipitação média que varia de 450 a 600 mm bem distribuída durante o ciclo e é pouco sensível às variações da luz embora prefira dias longos na fase de floração (Cambaza, 2007). Os solos aluviais, assim como os solos argilo-arenosos férteis, são considerados os melhores para esta cultura, contudo pode ser cultivada em diferentes solos, até pouco férteis, desde que se faça uma boa adubação, solos profundos e com boa drenagem. O mesmo autor refere que o milho desenvolve bem em pH  desde 5,0 até 7,5, sendo o óptimo de 6,0 a 7,0.

 

PRODUÇÃO DE MILHO EM MOÇAMBIQUE

Dados do TIA indicam que as regiões centro e norte do país são aquelas que apresentam maiores níveis de produção devido as boas condições agro-ecológicas para a produção deste cereal comparativamente a região sul. No país, o milho é geralmente produzido em condições de sequeiro e com maior incidência na época quente (Outubro à Março). Estudo feito pela USAID (2011)  aponta que o milho é a cultura mais produzida em Moçambique, olhando para o número de pequenas explorações, área cultivada e produção de energia para o trabalho. Dados do INE  (2010) indicam que do total das pequenas explorações agrícolas, 68% praticam a cultura de milho e do total da área das culturas alimentares básicas, na mesma categoria de explorações agrícolas, o milho ocupa cerca de 44,09% (1.360.937 hectares).

 

COMERCIALIZAÇÃO DE MILHO EM MOÇAMBIQUE

Apesar da produção provir do sector familiar (pequenos produtores/pequenas explorações), uma parte desta produção é comercializada nos diferentes mercados do país. Em relação às vendas, a zona centro do país é que apresenta maiores níveis de comercialização desta commodity, onde o destaque vai para as províncias da Zambézia, Manica e Tete cujo volume de venda se situa entre 16 mil toneladas e 68 mil toneladas ano por província. Depois da zona centro, encontra-se a zona norte com volumes de vendas que se situam entre 6 mil e 24 mil toneladas ano por província. A zona sul é a que comercializa menos excedente desta commodity.

Informações de Preços de MILHO/KG

 

 

 

 

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GERGELIM

O gergelim é uma planta oleaginosa de ampla adaptabilidade, também conhecido como sésamo, originária do Oriente, pertencente à família das pedaliáceas  (Sesamum indicum). O cultivo desta oleaginosa prospera em regiões de alta temperatura, baixa altitude e iluminação solar abundante. Em geral, é resistente à seca e apto para o cultivo em zonas áridas e semi-áridas e em épocas de escassa precipitação.

Em Moçambique esta é considerada uma cultura de rendimento produzido nas zonas Centro e Norte do País, concretamente nas províncias de Sofala, Manica, Zambézia, Nampula e Cabo Delgado. Este produto é mais comercializado na maioria dos distritos das províncias de Nampula e Zambézia. A campanha de Comercialização desta cultura é bastante curta, iniciando em Julho (onde se registam os preços mais baixos podendo ser comprado a 17 a 35 MT/Kg) e termina em Outubro (onde se registam os preços mais altos, podendo até alcançar 40,00 a 45,00 MT/Kg.

 

PRODUÇÃO DE GERGELIM EM MOÇAMBIQUE

Índia e Myanmar foram os responsáveis por 41% da produção mundial. Moçambique neste período encontrou-se em 15º lugar com 46 mil toneladas produzidas em 70 mil hectares e rendimento em torno de 660 kg/ha, rendimento este superior aos 539Kg/ha e 485Kg/ha do Myanmar e Índia respectivamente (PROMER, 2011). E no ranking da produção global de 2012 Moçambique foi o 8º país produtor de gergelim com uma quantidade de 117,000 toneladas métricas (faostat,2012).

O gergelim produzido em Moçambique é maioritariamente exportado isto é, a fase de acumulação nas cadeias de Gergelim não é muito expressiva uma vez que a produção é maioritariamente feita por contrato, logo é directamente vendida aos fomentadores que por sua vez fazem o pré-processamento e depois exportam (Relatório Sobre Transacção de Produtos Agrícolas pela BMM, 2015).

 

VARIEDADES DE GERGELIM PRODUZIDAS EM MOÇAMBIQUE

As variedades de sementes de cor branca e ou creme do gergelim são as de maior valor comercial, enquanto as de cor preta têm procura mais limitada. As principais variedades de sementes de referência do gergelim produzido em Moçambique são: I ICTA-R-198, Nicarágua, Linde-02, Naliendele-92 e Ziada-94 (PERENE, 2013).

 

COMERCIALIZAÇÃO DE GERGELIM EM MOÇAMBIQUE

Assim como a Soja, a produção do Gergelim é maioritariamente garantida por ONG´s e grandes comerciantes que financiam a produção directamente aos pequenos produtores sobre contrato (informal). Por este motivo a produção destas culturas têm registado volumes cada vez mais crescentes e é comercializado aos fomentadores que exportam para países como a Índia, China entre outros países.

FEIJÃO BOER

Feijão Bóer cientificamente designado por Cajanus Cajan (l) Millsp, conhecido por “Pigeon Pea” e “Cajan Pea”, entre países de língua inglesa, por “ambavade” e “pois de´Angole” entre os de língua francesa. Também designado de “Feijão-congo” em Cabo Verde, Ervilha-de-Congo de Angola e o mundru de São Tome e Príncipe.

Esta leguminosa cultiva-se nos países tropicais e subtropicais nas regiões semi-áridas. Segundo a FAO (1996) indica existência de cerca de 2.9 mil hectares de Feijão Bóer no mundo com a produção média de 700kg/ha.

 

PRODUÇÃO DO FEIJÃO BÓER EM MOÇAMBIQUE

Segundo a PROMER (2011) milhares de agricultores moçambicanos cultivam o feijão bóer com fundos próprios e sem garantias de compra concreta e mesmo assim conseguem colocação para o seu produto. A produção de Feijão Bóer é altamente perceptível nas províncias de Nampula, Niassa e Zambézia.

Segundo Rosário Marapusse economista do projecto da USAID para o Desenvolvimento Económico Empresarial, a cultura de feijão bóer tem registado considerável crescimento de 8 por cento ao ano, o que a torna tão importante como o milho e a mandioca, e esta ocupa cerca de 250 mil hectares equiparando-se ao amendoim e arroz. Devido ao preço atractivo (a tonelada chegou a custar 1000 dólares ao produtor na última safra), há cada vez mais famílias envolvidas, facto que contribui para o incremento das áreas de cultivo por família (Relatorio sobre Transações de Produtos Agrícolas pela BMM, 2015).

A região de maior produção é o Norte, sendo a província líder Zambézia que é a maior produtora a nível nacional, cobrindo mais de 50 % da produção nacional, de acordo com o site www.noticias.co.mz, acessado em (29/08/2014). Depois da Província da Zambézia, seguem as províncias de Nampula e Niassa (Relatório sobre Transações de Produtos Agrícolas pela BMM, 2015).

 

PRINCIPAIS VARIEDADES DE FEIJÃO BÓER

A variedade do feijão bóer desenvolvida actualmente é a 004, que foi introduzida pelo IIAM, que pode ser cultivada na época seca e contribui para a melhoria da qualidade dos solos e tem maiores rendimentos: cinco a seis toneladas por hectare, contra uma a duas toneladas conseguidas com a variedade local que já estava degenerada.

Segundo a Mapusse (FENAGRE) a introdução desta variedade no âmbito de um projecto financiado pela Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA) em pouco mais de um milhão de dólares norte-americanos, acabou sendo o principal incentivador do crescimento dos rendimentos que se verifica actualmente. E comparativamente a variedade antiga que não tinha um mercado amplo devido a problemas de qualidade relacionados com o aspecto físico, a actual (0040) tem mais sabor, tem mercado na Ásia e pode também ser comercializada localmente.

 

COMERCIALIZAÇÃO DE FEIJÃO BOÉR EM MOCAMBIQUE

A maior parte da produção do feijão bóer nos últimos anos tem sido para Exportação.

No que tange a comercialização do feijão bóer, de 2001/02 para 2011/12, registou-se em Moçambique uma subida de 33.480 para 119.423 Toneladas (veja a tabela8). A nível mundial em 2014, Moçambique foi o quinto maior produtor de feijão bóer e o terceiro maior exportador desta cultura (Walker, MASA 2015).

 

Segundo a Zauba (disponível no sítio https://www.zauba.com), o valor acumulado das exportações de feijão bóer para a Índia no período 2012-2014 foi estimado em cerca de 146 mil toneladas o que corresponde a cerca de 86 milhões de dólares americanos. Pouco mais de 1 milhão de famílias camponesas estão envolvidas na produção desta cultura, que nos últimos anos tem sido considerada cultura de rendimento em franca expansão no centro e norte do país, com um número de produtores, situado em 695.286 em 2002. Estes dados revelam que o numero de praticantes quase que duplicou, o mesmo acontecendo com a área cultivada, que de 68.814 hectares passou para 248.929 (Relatório sobre transação de produtos Agrícolas pela BMM, 2015).

 

 

CASTANHA DE CAJÚ

A castanha de cajú é uma cultura de rendimento tradicional do país. A região norte e centro são as de maior produção da castanha de caju, destacando-se: Nampula com cerca de (48%), Cabo Delgado (9%), Zambézia (13%). Principalmente comercializada no período entre Outubro a Março na Zona Norte e Centro e de Novembro a Abril na Zona Sul. Nesta altura, registam-se os preços mais baixos e altos que podem chegar a 12MT/kg e 28Mt/kg, respectivamente.

 

PRODUÇÃO COMERCIALIZADA DA CASTANHA DE CAJÚ EM MOÇAMBIQUE

O sector de cajú tem uma importância estratégica para o desenvolvimento económico do país, particularmente nas áreas rurais da região do norte. Mais de 40% dos agricultores moçambicanos (mais de um milhão de famílias) cultivam e vendem cajú e o sector de processamento dá emprego formal para mais de 8.000 indivíduos (INCAJÚ- 2013).

 

A produção de cajú é a principal fonte de renda para cerca de 1,4 milhões de produtores rurais em Moçambique. Os pequenos produtores de cajú gerem tipicamente pequenas propriedades com 10 a 20 cajueiros misturados com outras culturas. Durante a colheita, que ocorre de Outubro a Fevereiro, o agricultor médio de cajú produz cerca de 100 kg de castanhas vendendo às processadoras mais próximas das comunidades.

 

Até inícios dos anos 1970,  o país comercializava cerca de 200 mil toneladas anuais, ocupando cerca de 40% da quota de mercado. A capacidade instalada de processamento atingia as 75 mil toneladas anuais, com a qual exportava 20 mil tons/ano de amêndoa.  (fonte: flash - Resultados das investigações do Projecto de Segurança Alimentar em Moçambique MAP-Direcção de Economía: O Debate sobre o Cajú em Moçambique: Que vias Alternativas?).

 

Após a independência, a produção comercializada diminuiu, tendo atingido apenas 30 mil toneladas ano, o nível mais baixo registado nos anos 80. Actualmente, o país comercializa cerca de 100 mil tons/ano, e tem uma capacidade instalada de processamento de cerca de 38 mil tons/ano, exportando 50-60 milhões de dólares (em castanha e amêndoa de cajú).

 

PRINCIPAIS CLASSES DE CASTANHA DE CAJU PRODUZIDAS EM MOÇAMBIQUE

De Moçambique são exportadas as seguintes classes (grades) de amêndoa de castanha do caju: (i) amêndoas inteiras: W180 (maior), W210, W240, W320, W450 (menor), SW-210, SW-240, SW-320, SW-450, SSW, DW, DWB e MP; (ii) amêndoas partidas: FB, FS, LWP, SWP, CH, BB, SB, SS, SP, SSP, DS, DP, DB e DSP. No entanto, a classe mais exportada é a W320 e em pequenas quantidades a W180 (Fonte: INCAJU – Delegação de Nampula 2015, citado no Estudo sobre Transação de Produtos Agrícolas pela Bolsa de Mercadorias de Moçambique sobre Castanha de Cajú, Gergelim, Feijão Boer e Soja).

 

 

 

SOJA

A soja (Glycine max), também conhecida como feijão-soja e feijão-chinês é a oleaginosa mais importante e mais negociada no mundo, com o ciclo da cultura de 90 a 160 dias. Originariamente, a soja é uma planta subtropical, mas, com o melhoramento genético, pode ser cultivada hoje até a latitude de 52º N. Na década de 20 do século passado, agricultores americanos iniciaram o cultivo da soja em larga escala, que era usada principalmente como um insumo para ração animal (HIRAKURI e LAZZAROTTO, 2014). A produção da soja é vista como uma história de sucesso – uma cultura lucrativa para pequenos proprietários de terra que está a crescer rapidamente.

 

PRODUÇÃO DA SOJA EM MOÇAMBIQUE

Historicamente a soja foi introduzida em Moçambique, na localidade de Lioma – Gurué - no início da década de 80 como cultura mecanizada intensiva em sequeiro com assistência brasileira (500 a 600 hectares/ano) e, parou em 1984/1985 devido a Guerra Civil. Em 2003/4 foi reintroduzida em Lioma junto aos pequenos produtores, estimando-se uma produção nacional de 400 toneladas e com uma demanda enorme da indústria avícola (PERREIRA, 2012).

 

Em 2007/11 iniciou a expansão da produção da soja para mais províncias (Niassa, Nampula, Tete, Manica e Maputo) atingindo-se durante a campanha agrícola 2009/11 aproximadamente 7.5 toneladas produzidas. Actualmente a produção da soja é significativa em várias regiões das províncias acima mencionadas, estando as áreas de produção directamente ligadas a indústria avícola, de ração e óleo, num rácio total de 24.000 toneladas em 24.000 hectares (Technoserve, 2012).

 

COMERCIALIZACAO DA SOJA EM MOCAMBIQUE

A soja produzida em Moçambique é destinada ao consumo interno e a comércio externo (exportação). Em relação ao consumo interno é maioritariamente processada pelos produtores de ração na indústria avícola e começam a surgir alguns casos de produção de óleo.

A comercialização da soja em Moçambique é feita tanto por contrato como por venda directa ao intermediário isto é, a provisão de insumos para a produção é maioritariamente garantida por ONG´s e grandes comerciantes que financiam a produção directamente aos pequenos produtores sobre contrato (informal), com a promessa de que a produção resultante será a estes vendida para exportação (Relatorio sobre Transações de Produtos Agrícolas pela BMM, 2015).

De 2000 à 2006 foi reintroduzida a exportação da soja produzida em Moçambique para o mercado norueguês, estimando-se uma produção de 50.000 toneladas por ano (Pereira, 2012), actualmente a soja é exportada para China e Índia.

 

 

 

 

 

ARROZ

O arroz (Oryza sativa) é uma gramínea bastante produzida e alimenta mais de metade da população mundial. Em Moçambique, é uma cultura produzida há cerca de 500 anos. A temperatura ótima para o desenvolvimento do arroz situa-se entre 20 e 35ºC. O arroz não é tolerante a temperaturas muito baixas, nem muito altas . A zona sul do país apresenta solos pobres em termos de nutrientes e capacidade de retenção da água e baixos níveis de precipitação, o que torna a região menos adequada para a prática de arroz em regime de sequeiro (FAO, 2014). O mesmo autor refere que as zonas centro e norte, apresentam condições agro-ecológicas mais apropriadas para a produção deste cereal (precipitação média anual que varia entre 1 000 mm e 1 900 mm) o que justifica a tendência de um incremento considerável dos níveis de produção deste cereal no Centro e Norte e redução na zona sul.

 

PRODUÇÃO DE ARROZ EM MOÇAMBIQUE

A área de produção potencial de arroz no País é estimada em cerca de 900.000 hectares, dos quais apenas cerca de 200.000 hectares (22%) são cultivados e cerca de 90% da área cultivada localiza-se nas Províncias da Zambézia e Sofala, onde esta cultura é praticada nas zonas baixas. As Províncias de Nampula e Cabo Delgado ocupam uma área total de 7% e os restantes 3% pertencem à zona Sul do País, com destaque para a Província de Gaza (Distrito Chókwè). MINAG (2012) refere que a produção de arroz a nível nacional tem estado a crescer nos últimos anos. Este crescimento segundo o mesmo autor tem como factores o aumento das áreas de produção, distribuição de sementes e utensílios de trabalho e condições climáticas. O Arroz é produzido por cerca de 20% de explorações  com maior destaque para as províncias de Zambézia, Sofala, Cabo Delgado e Nampula. Ele representa 11% da produção total dos cereais.

 

O arroz constitui a terceira preferência no consumo dos agregados familiares depois do milho e mandioca. Dados da FAOSTAT (2013) indicam que o rendimento médio do arroz no país é de 0,9 ton/ha. Este rendimento é três vezes inferior ao rendimento obtido na África do Sul e cerca de duas vezes inferior em relação ao Zimbabwe e Zâmbia. Moçambique é o terceiro maior consumidor de arroz na SADC, importando em torno de 60% do arroz consumido na região.

 

COMERCIALIZAÇÃO DE ARROZ EM MOÇAMBIQUE

Apesar de o arroz ser uma cultura com níveis de produção baixos, parte da produção é colocada no mercado. Dados do TIA apontam que a Província da Zambézia é a que coloca maiores quantidades deste cereal no mercado, com um peso relativo de 47,92%, seguido das províncias de Nampula e Cabo Delgado com 16,16% e 13,89% respectivamente.

 

 Sendo mais preciso, a intervenção da BMM na comercialização de arroz, aconteceu na Zona sul do país (Gaza), no distrito de Chókwè, em 2015 e terminou em Maio de 2016 por razões alheias a nossa vontade.

Foi escolhido Chókwè, porquanto apresentava os maiores níveis de quantidades de arroz produzido, alicerçado no facto de ter uma fábrica de processamento de grande porte (CAIC).